Por Antonio Soler, 04/05/2017

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No dia 25 de maio ocorrerá a eleição da Associação dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (APEOESP). Nesse processo eleitoral serão eleitos a Diretoria Estadual Colegiada (DEC) e o Conselho Estadual de Representantes (CER). Esse é um calendário sindical de primeira grandeza, pois trata-se de um dos maiores sindicatos da América Latina, que hoje tem 180 mil sócios organizados em 93 subsedes distribuídas em todo o Estado de São Paulo. Nesta eleição concorrerão três chapas: Chapa 1 (composta pela Articulação Sindical, corrente lulista, PCdoB e outros satélites oportunistas do petismo), Chapa 2 (PCO, uma seita ex-trotskistas que cumpre o papel de coluna da burocracia) e Chapa 3 (PSOL, PSTU, correntes políticas da esquerda mais independente, e que nossa corrente, Socialismo ou Barbárie, apoia e participa do processo eleitoral com candidaturas ao CER) 

Derrotar burocracia para lutar contra a ofensiva reacionária

A APEOESP, desde o processo de redemocratização do regime, no final dos anos 1970, é dirigida pela corrente Articulação. Essa corrente, que tem em Lula a sua principal referência, nos anos 80 se constrói com um perfil burocrático-reformista, nos anos 90 se inclina cada vez mais à direita e na década passada, para defender os governos Lula e Dilma (PT), passa a posições abertamente nacional-desenvolvimentistas.[1]

A Articulação tem prestado um enorme desserviço aos trabalhadores, pois além de trair, sabotar e manobrar várias greves e lutas, atua com uma estratégia que não privilegia a organização de base, não faz frente com a comunidade escolar e não constrói aliança com os trabalhadores das fábricas. Além disso, não resiste consequentemente aos ataques dos sucessivos governos neoliberais no Estado de São Paulo, situação essa agravada com os governos petistas, pois têm políticas educacionais alinhadas com as do PSDB em São Paulo.

No decorrer dos anos, a oposição conseguiu impor mudanças estatutárias, tais como a proporcionalidade na composição da direção estadual, que permitiram maior participação da oposição nas instâncias de decisão do sindicato. Porém, a burocracia se manteve como direção majoritária do sindicato, o que impede que a categoria avance em sua organização e luta contra o governo estadual e federal.

Nesse momento em que o governo Temer tem avançado com sua pauta reacionária (vide o avanço das contrarreformas do ensino médio, trabalhista e da previdência no Congresso) é fundamental que a esquerda independente tome a maioria da direção desse sindicato estratégico para a luta em defesa da educação pública e do conjunto dos trabalhadores. Por isso, a formação da Chapa 3 é uma grande conquista. Essa chapa, depois de anos de fragmentação, conseguiu unir a totalidade da oposição em torno de uma plataforma mínima.

Mas, a formação de listas comuns entre todos os setores da oposição para disputar o CER, fórum mais amplo de representação dos professores, é tão decisivo quanto a unidade para a disputa da DEC. Por isso, vemos com enorme entusiasmo que na regional do São Bernardo do Campo (ABC Paulista), regional em que atuamos, que todos os setores da oposição da cidade tenham chegado à conclusão que é fundamental, apesar das diferenças políticas, construir uma lista comum para o CER.

De nossa parte, temos defendido essa política há algum tempo e iremos colocar nossos esforços para eleger a Chapa 3 e o maior número possível de companheiros ligados a ela para o CER. Queremos que a oposição tenha o seu espaço ampliado em todas as instâncias do sindicato, para que esse possa de fato ser um instrumento de luta em defesa da categoria, da educação e dos trabalhadores e que contribua para reverter a ofensiva reacionária, derrotar Temer, Alckmin, suas políticas de arrocho salarial, precarização e contrarreformas.

[1] Exemplo disso são as Câmaras Setoriais, o Bando de Horas, o Sindicalismo Orgânico, o Negociado Acima do Legislado (que agora foi incorporado pela “Reforma Trabalhista” de Temer, e um logo etc. de políticas, posições e práticas que vão contra a autodeterminação dos trabalhadores, a democracia operária e a política de independência de classe.

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