ANTONIO SOLER, 08/08/2017

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O MAIS, após um ano de ruptura com o PSTU e dos seus debates congressuais, anunciou na última sexta-feira, dia 4 de agosto, a decisão de ingressar no PSOL. Como parte do acordo com a direção do partido e por razões estatutárias, os companheiros não poderão apresentar tese e nem participar da eleição de delegados no processo pré-congressual recentemente aberto, no restante  participarão normalmente da vida partidária.

Trata-se de um coletivo de algumas centenas de companheiros, em sua maioria jovens e organizados nas principais cidades do país. Do ponto de vista da quantidade de militantes, como a esquerda socialista é composta de organizações de vanguarda, esse anúncio significa um importante ingresso militante. No entanto, para além da quantidade de novos quadros que ingressam no PSOL, esse gesto pode ser uma inflexão – não está de todo claro os seus alcances ainda – no longo processo de fragmentação da esquerda socialista, podendo ser um marco no processo de sua recomposição.

Importante inflexão na fragmentação da esquerda socialista

O movimento que deu origem ao PSOL era composto por correntes políticas que estavam sendo expulsas do PT devido ao posicionamento contrário à reforma da previdência de Lula em 2003, pelo PSTU, figuras públicas e intelectuais de esquerda. Movimento inicial que foi rompido em sua totalidade devido a política levada pelo PSTU que exigia que o centralismo democrático (sic) fosse condição previa para que continuasse no movimento pelo novo partido.[1]

Óbvio que não se pode atribuir responsabilidade política aos companheiros do MAIS pela política sectária, hegemonista e auto-proclamatória do PSTU, mesmo porque a saída dessa organização significou uma corajosa ruptura política. Porém, o seu ingresso no PSOL acaba “corrigindo”, depois de 17 anos, parcialmente ruptura que marcou a fundação, a rota e a existência do PSOL até hoje.

Isso porque a participação do PSTU no processo permitiria fundar uma organização política com muito mais capacidade de aglutinar os lutadores, intervir na luta de classes, combater a burocracia sindical e ter maior presença em todos os demais processos políticos. Todavia, mesmo diante de uma conjuntura política desfavorável na qual estamos inseridos, a possibilidade de construir uma alternativa de massas ao lulismo nunca esteve tão presente e hoje se coloca, junto com políticas eficientes de combate à ofensiva reacionária, como um dos principais desafios da esquerda socialista.

Certamente, a vinda dos companheiros do MAIS com sua militância, experiência política e disposição de luta ao PSOL contribuirá de maneira significativa para enfrentarmos esses desafios. Além disso, de um ponto de vista estratégico – a necessidade histórica de construir organizações revolucionárias que possam ter peso real na luta de classes – a longa e tortuosa diáspora vivida pelo marxismo revolucionário encontra nesse gesto uma perspectiva de reversão sobre a qual temos que tratar com a máxima atenção para que a militância no PSOL permita um equilíbrio entre os desafios construtivos imediatos e estratégicos.

Precisamos de um poderoso partido para a luta de classes

O caráter do PSOL com o ingresso dos companheiros do MAIS volta a ser matéria de interesse, pois a disputa interna pela sua orientação ganha novos contornos. Hoje o partido não é organização revolucionária de combate ao capitalismo[2], trata-se de um partido amplo, com insuficiências políticas, organizativas e sem uma profunda estruturação na classe trabalhadora. Mas, no marco da crise orgânica em que vivemos cumpre um papel fundamental no sentido de ser uma referência classista e independente de defesa dos interesses dos trabalhadores e dos oprimidos, ética da esquerda que não se vendeu às benesses do capital e de pluralidade política capaz de comportar as várias tendências da esquerda socialista.

Além disso, é a única organização que hoje pode ser uma alternativa real à falência histórica do lulismo no sentido de acolher os setores de massas que rompem com essa burocracia, articular com as demais forças a resistência efetiva às contrarreformas em curso e construir uma representação política dos vindouros processos de radicalização das lutas. Mas, para que o PSOL possa efetivamente dar conta desses enormes desafios são necessários avanços programáticos, táticos e organizativos.

A disputa interna no interior do PSOL no sentido de construir um partido socialista para a luta de classes, independente, democrático, internacionalista e com influência de massas como alternativa ao lulismo ganha mais um importante aliado e abre caminho para que mais organizações revolucionárias e militantes independentes ingressem em nosso partido.

Para dar conta dos enormes desafios que temos pela frente é preciso avançar no sentido da construção de um programa para a transição socialista no Brasil, de táticas voltadas para a unificação da luta direta contra Temer e suas medidas regressivas e de uma alternativa política estratégica de organização partidária capaz de aglutinar e organizar a luta de milhares de trabalhadores, jovens, mulheres, negros e oprimidos em geral. Todos esses são desafios que, certamente, o MAIS dará enorme contribuição para superar. Dessa forma, nos alegramos enormemente com o ingresso dos companheiros no PSOL e nos somamos ao coro de boas-vindas aos companheiros!

[1] Isso era uma evidente manobra para deixar as demais correntes reféns de sua legenda, pois se a discussão programática não prosperasse não haveria tempo hábil para a legalização de um novo partido.

[2] O que a nosso ver é fundamental para os processos revolucionários possam ser vitoriosos e encontrem o caminho do socialismo, todos grandes momentos da luta de classes comprovam isso.

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