Por Andréia Silva e Antonio Soler, 26/10/17

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BALANÇO DO 3º CONGRESSO DA CSP-CONLUTAS

Superar sectarismo estéril e construir uma central democrática, combativa e de massas

Por Andréia Silva e Antonio Soler

A CSP-Conlutas teve seu 3º congresso entre os dias 12 e 15 de outubro, em Sumaré-SP. A central chegou a este congresso com aproximadamente 1900 delegados que representam 308 entidades, no 2º congresso contou com 1700 delegados e 373 organizações filiadas.[1]

Este número de organizações filiadas, em comparação com de centrais como a CUT, com 3438 entidades filiadas, demonstra que, apesar de ser uma conquista dos lutadores socialistas e de seu papel estratégico como central independente dos patrões e do governo,  a central é extremamente minoritária em relação à organização da classe trabalhadora em todo o país.

Situação essa que não pode ser naturalizada, mas deve sim ser superada com políticas que busquem o fortalecimento da central, com intervenções acertadas na luta de classes, com o fortalecimento das nossas posições e táticas no interior da ampla vanguarda e com o aprofundamento do trabalho de base. Mas, o crescimento molecular da CSP deve se combinar com políticas que busquem fusões com os que estão atuando de forma independente na luta de classes em defesa dos interesses dos trabalhadores, como é o caso de setores do movimento popular,  sindical e estudantil com os quais a central não tem desenvolvido nenhuma estratégia de unificação desde o fatídico CONCLAT de Santos.[2]

Sem o fortalecimento orgânico e a ampliação da influência da CSP entre os lutadores do país, que só pode ser conseguido pela combinação dessas duas estratégias construtivas, a central nunca conseguirá ser um fator real na luta de classes e não poderá contribuir efetivamente para a luta em defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora e da juventude, ou seja, não passará de um centro de propaganda sindical de esquerda.

Esse avanço político-organizativo da CSP só pode ser feito a partir da superação do sectarismo que marcou a central no último período. Por isso, em nosso manifesto ao 3º Congresso, defendemos que os principais desafios da central, para que este polo de independência da luta da classe trabalhadora se fortalecesse, iam no sentido de superar a política da sua direção majoritária (PSTU).

Esse setor vem impondo à CSP uma política estéril que não contribui para o desenvolvimento da luta do campo da esquerda socialista contra o governo e os patrões.  Política que no último período impediu que a CSP tivesse uma posição de fato independente no impeachment em 2016, que  acabou na assunção do governo Temer e o fortalecimento da ofensiva reacionária que tem imposto retrocessos históricos para os trabalhadores e oprimidos.

A partir da caracterização de que o impeachment era apoiado pela maioria dos trabalhadores, que significaria a assunção de um governo sem capacidade de avançar nas contrarreformas e que era indiferente para os trabalhadores um governo de colaboração de classes ou um governo neoliberal puro e duro, a direção majoritária da central desenvolveu uma política que foi incapaz de se colocar contra a ofensiva reacionária, unificar a esquerda socialista nesse processo e fortalecer o campo independente dos patrões e do lulismo.

Fortalecimento da oposição no 3º Congresso

Essa política, desde então, tem sido consubstanciada na bandeira do “Fora Todos”, na recusa em organizar uma frente de luta com os demais setores independentes dos patrões e a frente de esquerda socialista composta pelas organizações que representam os interesses dos trabalhadores, a exemplo do PSOL, PSTU e PCB, além de outras organizações políticas que não são legalizadas, com o objetivo de se colocar como uma alternativa ao lulismo diante da crise histórica desse setor.

Foi exatamente essa apreciação (da direção majoritária), totalmente distorcida do cenário nacional e a consequente política sectária, que fez com que no último período a CSP se isolasse completamente dos setores de massa que identificaram no impeachment e em Temer ameaças reais às suas condições de vida. Ou seja, foi levada pela CSP uma política que impediu que a central combatesse o avanço da ofensiva reacionária e, ao mesmo tempo, se colocasse como alternativa ao lulismo.

O 3º congresso da CSP foi então permeado pelo balanço da política da direção majoritária no último período. As discussões e deliberações sobre a conjuntura internacional e nacional e balanço da central demonstraram que existem avaliações muito divergentes no interior da CSP.

As forças que constituem a central têm apreciações diferentes sobre a correlação de forças e linhas para a defesa dos interesses dos trabalhadores diante dessa maré reacionária em que vivemos. Mas, acabou prevalecendo a posição do PSTU nas resoluções do 3º Congresso, setor que continua com uma monstruosa insensibilidade diante da realidade.

Esse setor não vê que apesar de importantes processo de resistência verificado em muitas frentes, predomina uma conjuntura os avanços da política de direita no país e no mundo, e que, além da unidade de ação para derrubar Temer e seus ataques, é fundamental construir  frentes de luta com os setores independentes que estão fazendo lutas importantes, como é o caso do MTST. E no campo político mais geral, que é decisivo construir uma frente de esquerda socialista entre o PSOL, PSTU e PCB para disputar a consciência da classe trabalhadora diante da crise histórica do lulismo.

Mas, apesar dessa posição sectária permanecer majoritária, com a ruptura de um importante setor com o PSTU, fortaleceu-se a posição dentro da central da necessidade dessa trabalhar para construir frentes com os demais setores em luta. Não apenas desenvolver táticas de unidade de ação nas greves e lutas, mas também desenvolver táticas para construir frentes de luta e frentes da esquerda socialista. Assim, parte importante da oposição organizou-se no bloco “Somos Todos CSP” que conseguiu se articular no 3º congresso para defender a necessidade de uma frente política de esquerda socialista no Brasil; bloco que também realizou o Ato “Por um polo político alternativo da classe trabalhadora”, que contou com a representação de correntes do PSOL e do PCB. Apesar de ter sido convidado para o ato, o PSTU não compareceu…

Continuar o combate pelo fortalecimento da esquerda socialista

A central caminhou no sentido da aprovação de um plano de lutas para a organização dos trabalhadores para o próximo período, ficando assim o plano de lutas da central limitado ao dia de greves e paralisações, em 10 de novembro, contra a reforma da previdência e aplicação da reforma trabalhista, além das lutas encabeçadas pelo movimento Brasil Metalúrgico.

A unilateralidade da caracterização e da política da direção majoritária não permitiu que se tirassem propostas de ação para retomar a luta pelo Fora Temer[3], bem como ações  efetivas para buscar a unificação com os demais setores combativos ou mesmo ações para impulsionar a necessária construção de frentes no interior da esquerda socialista para a luta de classes, para derrubar Temer, suas contrarreformas; e para construir uma alternativa de massas ao lulismo, tarefas fundamentais da esquerda socialista sobre as quais continuaremos a lutar no movimento e nos fóruns da nossa central.

Para finalizar, pensamos que o fortalecimento da oposição na central, passa – dentre outras questões – por uma luta contra o sectarismo do PSTU que deixe claro que não se trata de abrir mão da grande conquista que foi a construção da CSP. Mas sim que o seu fortalecimento passa necessariamente por uma estratégia que supere o sectarismo da direção majoritária.

Isso se faz deixando claro que a nossa estratégia passa por táticas precisas em relação aos setores do movimento sindical, popular e estudantil. Ou seja, que nossa tática de frente para lutar não passa por abrir mão do caráter independente da CSP, mas que objetiva sim construir algo superior a partir das bases principistas que temos consolidado na central. E que, por outro lado, a nossa tática de frente de esquerda tem um claro corte de independência de classes e que atinge apenas os partidos e organizações independentes da burocracia lulista e dos patrões, ou seja, que é a partir de uma frente entre PSOL, PSTU e PCB que iremos polarizar os setores independentes e semi-independentes. A falta de precisão nesse campo só favorece a posição do sectarismo da atual direção majoritária da CSP.

[1] Uma boa notícia no sentido de superar a marginalidade da CSP foi o anúncio da filiação de uma minoria sindical que é bastante estratégica, a dos trabalhadores rodoviários do munícipio de São Paulo, que teve importante papel na greve geral do dia 28 de abril.

[2] O CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora ) da cidade de Santos-SP ocorreu em junho de 2010 e teve por objetivo unificar a então Conlutas e a Intersindical, duas expressões da reorganização do movimento dos trabalhadores a partir dos governos de Lula e da integração total da CUT à ordem dominante. Mas, a política sectária do PSTU, que queria impor todas as resoluções aos demais setores sem nenhuma negociação, fez com que esse congresso implodisse e desde então não se retomou o processo de reunificação entre estes setores.

[3] Enquanto vários setores foram para as ruas no dia de hoje para exigir a queda de Temer diante da votação da segunda denúncia no Congresso, a CSP não tirou nenhuma resolução, ou seja, ficou paralisada diante de um momento extremamente significativo do cenário político nacional.

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